Existe mazela maior na alma que a dúvida?Enquanto a certeza da desgraça nos assombra, a dúvida nos corroe a alma, aos poucos, deixando-a vulnerável, fraca, desfeita e frágil. É o horror antecipado!
Viver em dúvida é o não viver. A dúvida se apossa da alma e se reflete no corpo, criando vestígios do caos que há por dentro, da alma desfeita e sedenta de paz. E quem vê alguém em dúvida, não duvida, da falta de calma que ali jaz.
Duvidar é desvio trapaceiro no caminho, é vício a que se prende em covardia frente a incompreendida dor. Duvido que haveria dúvida desamiga em meu peito, se ali houvesse sabedoria e amor.
Esses dias, porém, tenho duvidado até do sol que se sobrepõe, tudo incerto, tudo dúbio, oceano de consternações. Vá embora, maldita dúvida, desabita meu coração! Quero amanhã descerrar os olhos sem te temer, sem duvidar, percorrer o dia tranquilo, e ir dormir sem peso algum, ansioso por despertar.
Demorei alguns dias para comentar aqui para poder pensar sobre o assunto com calma e desenvolver uma opinião válida sobre o assunto. Porque sabe como é, né, não quero passar vergonha, ainda mais quando o texto fala sobre uma das coisas na área que você se interessa e estuda.
ResponderExcluirEntendo o lado ruim da dúvida. A dúvida implica, como cadeira mal-feita, barulho de isopor ou giz. Ela desacomoda, faz questão de mostrar a sua presença em todos os momentos. Mas dúvida é um sentimento, e como sentimento que faz parte da complexidade do ser humano, tem seu lado bom e seu lado ruim.
O lado bom talvez possa ser pensado no mesmo aspecto do lado ruim, mas sob um ângulo de visão diferente. Quando não há dúvida, o homem se acomoda e passa a partir do princípio que a vida que leva segue uma regularidade certa. Viver torna-se indiferente e sem emoção. As cores são as mesmas, a rotina é a mesma. E o que antes fazia as veias do corpo tocarem no seu próprio ritmo guiadas pelos batimentos do coração em fúria agora são tratadas como comuns. A comodidade esfria. Duvidar nos instiga à reflexão. A analisar detalhes, a vida, milímetro a milímetro. Quando o nosso mundo é abalado por uma incerteza, acordamos do transe que a certeza nos impõe e voltamos a viver, a nos aventurar, a ver tudo como realmente é - mesmo que seja só até a comodidade e a certeza voltarem. Duvidar nos faz crescer enquanto indivíduos, pensadores. Grande parte das vezes, a dúvida aparece como um wake up call, mesmo que nos faça sofrer. Porque às vezes desarrumar dói. Tirar do lugar tudo o que era certo em nossa vida nos faz tremer nas bases. Mas é só desarrumando e arrumando novamente que descobrimos novos - e talvez até melhores - lugares para as coisas. Nos faz dar valores às coisas que já estavam empoeiradas e jogadas em algum canto. Nos faz refletir como um todo. Redescobrir. Autodescobrir. Duvidar também faz bem.
(Eu tinha escrito um comentário muito melhor, mas a google fez questão de perder ele por algum motivo tosco. :( Tentei reescrever o comentário de cabeça, porque não salvei em lugar nenhum, mas ficou muito mais porco que o anterior. So sorry.)