22 fevereiro, 2013

Vinte e dois.

– Então, como é ter 22?

– Acho que fazer um novo ano é um pouco como um texto que li uma vez, chamado "Eleven", em que uma garotinha fala sabiamente como é não ter onze anos. Eu também não sei falar como é ter 22, porque eu ainda não me sinto 22. Eu ainda sou 1, 3,..., 9, 15, 18, 21... todos eles juntos, como bonecas russas, cada ano dentro do outro, como um tronco de árvore, um amontoado de camadas. No fim, eu sou o resultado de todos esses anos, juntos, e cada um vive em mim. Tipo quando eu me engasgo em angústias e coloco a cabeça nos joelhos em choro, eu sei que tô sendo 8 ou 4. Quando eu rio até lacrimejar pelos motivos mais tolos com meus amigos, sem me preocupar com nada, eu tô provavelmente sendo 15. E quando eu tenho que levar tudo a sério, quando a vida cobra de mim um homem, quando não há tempo pra brincar, nem fugir, aí eu tô sendo 21. Agora eu vou ter que aprender como é ser 22. Talvez daqui um ano quando você me perguntar como é ter 22 eu vá te contar uma boa história, mas por enquanto eu ainda sou 21 e 20 e 10 e 3...

Adeus pra quê?

Pra que lembrar dos bom-dias e boa-noites?
Pra que prestar tributo às noites perdidas em entrega?
Pra que honrar a verdade que jaz no coração?
Pra que ser claro e dissipar a escuridão?

É mais fácil deixar morrer que conviver
É mais prático se tornar um estranho que deixar ser
É menos complicado transformar em nada
É, aparentemente, muito doloroso reconhecer

Eu vou, assim, resignado e estarrecido
Movido pela vontade de viver e continuar
A refletir se foi tudo um sonho ou delírio
Me levando fortalecido e nostálgico, a lembrar

Aprendi a regozijar na solidão acompanhada
Aprendi a ver partirem, assim, sem cerimonias
Entendi que nem todos fazem questão
Porém, ainda ontem, lembrei de você

Adeus pra quê?